28 mar
Uma espécie como as outras
Livro revê evolução do homem e discute a singularidade do Homo sapiens

Em função de sua singularidade em relação às demais espécies existentes no planeta, os humanos tendem a acreditar que são o resultado final de um processo evolucionário especial. Porém, da mesma maneira que Galileu refutou a teoria do geocentrismo ao comprovar que o Sol é centro de nosso sistema, o britânico Robert Foley enfrenta também o egocentrismo ao afirmar em seu livro Humanos antes da humanidade que a nossa espécie não é o produto de forças especiais na evolução.
Para Foley, que é pesquisador do departamento de antropologia biológica da Universidade de Cambridge, não há ingrediente mágico na evolução humana, e nada pode substituir o conhecimento dos detalhes do que ocorreu — onde, quando e por quê. Portanto, apesar da singularidade de nossa espécie, ela nada mais é do que o fruto de acontecimentos específicos ocorridos na vida cotidiana de nossos ancestrais hominídeos.
A evolução humana foi um acontecimento extremamente raro, em que características como o bipedalismo, o comportamento social ou a expansão do tamanho do cérebro foram vantajosas para a sobrevivência da espécie. Porém, Foley argumenta que os princípios evolucionistas que regeram a evolução de todas as espécies foram os mesmos que deram origem ao Homo sapiens.
Nos capítulos iniciais, de natureza mais filosófica, o autor defende o legado evolucionista deixado por Darwin e tenta definir o que são os seres humanos. A partir daí, Foley se concentra no processo evolucionário que nos deu origem, do ponto de vista tanto biológico quanto comportamental. Esse percurso passa pelos “humanos antes da humanidade” — os macacos antropóides e hominídeos ancestrais do homem moderno.
Escrito em linguagem de fácil entendimento, o livro oferece respostas originais a algumas perguntas chave sobre a evolução humana, como, por exemplo: Quando nos tornamos humanos? Por que nossa história evolucionária tem uma localização geográfica específica, a África? Como a seleção natural atuou no desenvolvimento da espécie humana? Como se desenvolveu nosso comportamento social?
Os gráficos explicativos do livro facilitam o entendimento dos argumentos do autor, mas ilustrações mais detalhadas fazem falta no momento em que Foley descreve as características físicas dos hominídeos e compara uns aos outros.
Sob uma perspectiva darwiniana, Foley analisa como o contexto em que surgiram “os humanos antes da humanidade” foi fundamental para a evolução da nossa espécie. O livro é uma leitura que deve agradar não só a antropólogos, biólogos e paleontólogos, mas também a todos que se interessam pela história do surgimento do H. sapiens.

Os humanos antes da humanidade -uma perspectiva evolucionista
Robert Foley (trad.: Patrícia Zimbres)
São Paulo, 2003, Editora Unesp
294 páginas – R$ 43
Liza AlbuquerqueCiência Hoje On-line09/10/03

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