28 mar

Quando crescer, vou ser… antropólogo!
Venha saber como atua esse profissional, que estuda o ser humano e a sua diversidade

O que faz do homem um animal diferente dos outros? Por que existem tantos homens com diferentes línguas e culturas espalhados pelo mundo? Descobrir tudo isso parece uma tarefa bem difícil.

Mas os antropólogos gostam de encarar o desafio! “A antropologia é uma das ciências que estudam o ser humano em sociedade e sua principal característica é o interesse pela diversidade que existe na humanidade”, explica o antropólogo Emerson Alessandro Giunbelli, do Departamento de Antropologia Cultural da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A antropóloga Clara Mafra, do Departamento de Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), tem experimentado desde criança essa diversidade. “Nasci no interior do Rio Grande do Sul, sou neta de alemães, filha de uma gaúcha com um carioca. Tive os primeiros mimos no colo de uma babá japonesa e minhas primeiras papinhas foram preparadas por uma cozinheira filha de índios guarani”, conta ela. Clara começou a viver na prática o que depois aprendeu na faculdade de Ciências Sociais e, mas tarde, na especialização em Antropologia: o respeito é fundamental na convivência de pessoas com culturas tão diferentes. “Um dos propósitos do nosso trabalho é fazer do mundo um lugar melhor, produzindo um conhecimento livre da intolerância e do preconceito”, acredita.

Portanto: quem pensa em ser antropólogo deve estar sempre aberto a conhecer outros modos de vida diferentes do seu. Emerson conta que as pesquisas antropológicas estão cheias de fatos curiosos e os pesquisadores precisam se esforçar para encará-los como familiares. Quer um exemplo? Só porque uma comunidade dedica menos tempo ao trabalho e vive apenas da caça e da coleta de alimentos e materiais da natureza, isso não quer dizer que sua qualidade de vida seja pior do que a nossa. “Perceber essas coisas serve até para aprendermos a ver o nosso próprio cotidiano com outros olhos”, alerta o professor.

As opções de pesquisa para os antropólogos são bem variadas: onde existam pessoas vivendo juntas, o antropólogo pode plantar seus estudos! Uma das práticas mais usadas por esses profissionais é o chamado “trabalho de campo”, em que o pesquisador passa um bom tempo com a comunidade que deseja estudar e observa o cotidiano dessas pessoas – come com elas, participa de suas festas e celebrações religiosas, tira fotografias, ouve suas histórias… Depois, o antropólogo pode escrever textos e dar aulas sobre suas experiências. Por muito tempo, a antropologia esteve limitada ao estudo de sociedades indígenas – as mais diferentes da nossa.

Hoje, essa mentalidade mudou e os antropólogos estudam também grupos que vivem nas cidades. Com isso, os pesquisadores pretendem mostrar que homens e mulheres podem viver de muitas maneiras diferentes, sem que uma cultura seja considerada melhor do que a outra. Um dos temas mais comuns nos estudos antropológicos é a religião, em conjunto com suas crenças e rituais. Emerson e Clara dedicam-se a esse assunto, mas com focos diferentes de trabalho: enquanto ele atualmente se dedica à pesquisa sobre o ensino religioso em escolas públicas do Rio de Janeiro, ela estuda diversos grupos de evangélicos no Brasil e em Portugal. Os dois adoram. “O melhor da profissão é que podemos estudar temas variados e pesquisar questões que interessam a um grande número de pessoas”, diz Emerson. Para Clara, o cotidiano do antropólogo é, ainda, uma caixinha de surpresas: “Eu nunca sei quem vou conhecer na próxima pesquisa de campo e geralmente me surpreendo com as coisas que descubro.” Por isso, a professora avisa que curiosidade e bom humor são características muito importantes para quem pretende seguir essa profissão.

Ciência Hoje das Crianças 153,
dezembro 2004.
Catarina Chagas, Instituto Ciência Hoje

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