O futuro da antropologia

18 dez

O jornal Folha de São Paulo publicou nesse domingo uma matéria com o seguite título: “VINTE ESPECIALISTAS INDICAM CONCEITOS, LIVROS, CDS E IDÉIAS QUE IRÃO DOMINAR O DEBATE EM SUAS ÁREAS, COMO ALIMENTOS “LIMPOS”, ROUPAS “HIGH-TECH”, HISTÓRIA ORAL, REPUBLICANISMO, RAP FEMININO E OS CINEMAS DA CHINA E TAILÂNDIA “

Sobre antropologia ouviram Manuela Carneiro da Cunha. Suas palavras estão a seguir (publicado no endereço http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mais/fs1712200609.htm

Antropologia
por Manuela Carneiro da Cunha

A antropologia ainda não morre
A antropologia tem conseguido dar muitas explicações, mas todas elas retrospectivas. Nas últimas décadas, passou muito tempo explicando até seu próprio passado. O futuro da disciplina, esse, ninguém sabe. Ela foi declarada em estado grave há umas duas décadas, mas até agora não vi atestado de óbito.

O erro persiste
O antropólogo americano Marshall Sahlins diz que, quanto ao futuro, apenas duas coisas são seguras na disciplina: a primeira é que estaremos mortos; a segunda é que o que tivermos escrito será considerado errado. A sorte é quando a segunda não acontece antes da primeira.

Eterno retorno
Poderíamos acrescentar uma terceira coisa razoavelmente segura: seremos (pelo menos alguns) reabilitados postumamente, pois a tendência da antropologia é o eterno retorno. Émile Durkheim [1858-1917] desbancou Gabriel Tarde [1843-1904] há cem anos: agora Durkheim está “out”, e Tarde, “in”.

Movimentos sociais
Questões que crescem na antropologia social: tudo o que tem a ver com conflitos e novos movimentos sociais, inclusive aqueles sobre direitos dos animais. Parece também que as pessoas vivem em mundos mais diferentes entre si do que se imagina. Donde o interesse em entender como se comunicam.

Etnografia
O que a antropologia pode trazer para entender nossa época: a etnografia, uma boa descrição do que está ocorrendo e do que pensam as pessoas em lugares tanto centrais quanto remotos. Documentar o presente em suas várias dimensões e lembrar que só as boas etnografias resistem ao tempo.

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MANUELA CARNEIRO DA CUNHA é antropóloga e professora na Universidade de Chicago.

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