RETRATOS DO BRASIL HOMOSSEXUAL

12 maio

IV CONGRESSO DA ABEH:
RETRATOS DO BRASIL HOMOSSEXUAL – FRONTEIRAS, SUBJETIVIDADES E DESEJOS

Este “Retrato” foi feito como um quadro impressionista. (…) Desaparecem quasi por completo as datas. Restam somente os aspectos, as emoções, a representação mental dos acontecimentos, resultantes estes mais da deducção especulativa do que da seqüência concatenada dos factos. PRADO, Paulo. Retrato do Brasil. Cia. Editora Nacional, 1928, p.183.

Em 1928, Paulo Prado publicou Retrato do Brasil: ensaio sobre a tristeza brasileira, obra que marca o início das reflexões contemporâneas sobre a identidade nacional, procurando estabelecer um quadro descritor de uma subjetividade ainda em processo e que se (re)formulava desde a efeméride/divisor de águas do centenário da Independência do Brasil.

Oitenta anos após, os atores sociais que ilustram o “retrato” – que se almeja construir no IV Congresso da ABEH – já são outros, como também as relações sociais, intelectuais e artísticas superam àquelas tematizadas na publicação de Prado e imaginadas na empreitada do Modernismo da Semana de 22. Cabe à contemporaneidade e aos seus pensadores procurarem cifrar os aspectos que a cultura e a identidade brasileiras assumem na atualidade, cumprindo assim o atendimento das demandas sociais, dos questionamentos intelectuais sobre quem é e o que é o Brasil no alvorecer do século XXI.

Nesse sentido, o IV Congresso da ABEH “Retratos do Brasil Homossexual: Fronteiras, Subjetividades e Desejos” lança um novo desafio: como, no Brasil contemporâneo, se articulam os diversos retratos que constituem as experiências homossexuais, homoeróticas e os estudos acerca da homocultura?

Com este evento, os organizadores propõem iniciar as discussões acerca do estabelecimento desse recorte, como também suscitar uma ampla discussão acadêmica e social. Isso propicia um projeto maior, que é pensar a homossexualidade e a homocultura no contexto da sociedade brasileira.

Como em Retrato do Brasil, quer-se a busca não só dos elementos que compõem a brasilidade e o brasileiro, mas, também traçar quais subjetividades e identidades estão em consonância ou em confronto quando se fala das representações homoculturais. Não só um retrato em preto e branco, da tristeza do brasileiro e de sua cultura, como também a imagem colorida – e em cores fortes – das questões homossexuais e de sua urgência cultural, política, artística, social e médica, bem como a sua afirmação no âmbito dos Direitos Humanos. Ainda mais se considerarmos que, via de regra – e o livro seminal de Prado não é exceção –, a experiência homossexual não recebeu um olhar adequado, produzido por um esforço hermenêutico coletivo, ao longo do século XX.

Assim, constitui-se como fato de suma importância a realização desse IV Congresso, com vistas ao desdobramento das discussões acima enfatizadas. Ao ressaltarem-se os “Retratos do Brasil Homossexual”, reconduzimos “Fronteiras, Subjetividades e Desejos” em nossa sociedade, para a sua maior diversidade cultural e sexual.

Com isso, propomos este evento, a ocorrer entre os dias 9 e 12 de setembro de 2008, na cidade de São Paulo, cujo objetivo é criar indicadores que permitam o desenvolvimento de pesquisas acerca desse sujeito social no país.

Concomitantemente, propomos a realização de um primeiro encontro entre militantes brasileiros e internacionais sob forma da edição do “Encontro Hispano-Brasileiro de Militantes Homossexuais”, que se realizará no dia anterior à inauguração do Congresso. Esse intercâmbio promoverá a internacionalização das questões propostas, ao fazer-se com um país de reconhecida reflexão no campo dos estudos homoculturais: a Espanha.

O IV Congresso da ABEH acontece de 9 a 12 de setembro de 2008 a ser promovido junto ao Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, pelas Áreas de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa e Literatura Portuguesa, com o tema “Retratos do Brasil Homossexual: Fronteiras, Subjetividades e Desejos”, e seus trabalhos articulam-se em torno de seis eixos:

– Retratos da Arte: cinema, fotografia e outras mídias

– Retratos da Imagem: o corpo como discurso

– Retratos Literários: obras, personagens e sentidos

– Retratos sociais: territórios, espaços e subjetividades

– Retratos e Identidades: sujeitos, encenações, culturas

– Retratos da Militância: atuação, direitos humanos, conquistas

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