a lição de tim ingold

2 set
A Antropologia é um campo extremamente complexo, e amplo demais para se estabelecer limites rígidos quando seus praticantes etnografam e teorizam. É hoje, certamenete, um dos campos intelectuais mais fecundos, por sua notória capacidade de diálogo e trocas com todos os ramos do conhecimento. A antropologia de Ingold interfere não apenas na própria teoria antropológica, mas causa impactos sobre o modo como, por exemplo, primatólogos e biólogos vêem seus próprios campos. Em última instância, não se trata apenas de diálogo e distância, mas de uma fecundação que transforma as duas pontas do discurso: antropólogos precisam rever sua definição de cultura tanto quanto biólogos precisam operar com outra noção de natureza.

Por definir o homem como animal e como humano, seus interesses incidem no duplo natureza-cultura, ou como ensina Ingold, na interação animalidade-humanidade. A antropologia física/biológica tem fomentado instigantes e seminais debates na antropologia cultural/social. O estado da arte da antropologia contemporânea comporta uma abertura crescente no questionamentos das fronteiras entre o natural e o cultural, com tendência a negar uma separação rígida e avançar no entendimento de uma espécie de gradação entre a nossa animalidade e nossa humanidade.

Tim Ingold é professor na Abardeen University (na Escócia). É um antropólogo central para quem deseja aventurar-se nas discussões sobre evolução humana, animalidade-humanidade, natureza-cultura. Seus estudos devem causar impacto numa reformulação do conceito de homem. A antropologia de Ingold faz maravilhosas incursões na biologia e antropologia, e nos leva para vôos mais longos quando reflete na intersecção dos dois campos. Atualmente, os seus trabalhos de investigação têm por tema as ligações entre arte, arquitetura e antropologia como forma de explorar as relações entre os seres humanos e o seu ambiente natural.

Como escreve Glaucia Silva (antropóloga da UFF): Tim Ingold, influente antropólogo britânico, que, a partir da década de 1980, levanta a questão da “animalidade do homem” de uma forma bastante pertinente, afirma que se enfatizar a singularidade da condição humana não é por si só uma postura antropocêntrica. É a radicalidade da distinção que manifesta um antropocentrismo, e não a distinção em si. Para Ingold, poderíamos trocar a fratura que separa radicalmente a humanidade da animalidade por uma escala que gradualmente as ligasse, reconhecendo em outros animais atributos considerados essencialmente humanos (formas de linguagem, engenhosidade e inteligência). Apoiado em outros autores, ele sustenta que assim como os habitantes das sociedades tribais da África, Américas e Oceania tiveram, no passado, seu pertencimento à humanidade questionado pelos primeiros estudiosos do assunto, os animais podem estar sendo vítimas, de um movimento análogo.

Página de T Ingold biografia e bibliografia

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